Post salvo em ‘Brasil’

Reflexão e Desabafo

eu-estou-sobrevivendo

Essa imagem mesmo representa muito do que nós sentimos: “estou apenas sobrevivendo”. Todos os dias têm sido assim, uma sensação constante de que somos vencedores por não termos tido muitas mudanças no nosso estilo de vida com tudo isso que acontece nesse país.

Mas somos apenas sobreviventes.

Ontem tivemos protestos por todo o país. Milhões saíram às ruas, alguns falaram besteira, outros exageraram, e por mais que achemos que a ideia é boa, apenas nos perguntamos: para onde isso vai?

O protesto é bom, mas se a Dilma sai, quem assume? Temer? Cunha? Quem efetivamente poderia assumir e representar uma mudança? O que a saída da atual presidente do governo traria de benefício para a população? As respostas destas perguntas são pavorosa.

Vivemos há anos em robalheira, caixa 2, lavagem de dinheiro, favorecimentos… E agora a conta veio. E quem está pagando? O mesmo povo que sempre pagou. E por mais que a gente culpe x, y ou z, a gente tem nossa parcela de culpa. Desde o descobrimento do Brasil somos roubados (Portugal levou carregamentos e carregamentos de ouro e afins), e nunca fizemos nada. Sempre fomos passivos, com o nosso jeitinho brasileiro do “enquanto não me prejudica, tá tudo bem”.

Não, não tá tudo bem. Hoje O Saints pegou um taxi para ir ao trabalho, como ele faz todos os dias, e o taxista o conhece porque vira e mexe o leva. Hoje eles começaram a conversar casualmente, e o senhor, na casa dos 50 anos, começou a chorar dentro do carro. Disse que estava difícil a situação, que estava fraco o movimento, que ele vai ter que tirar a filha do colégio, e ele não sabe como fazer porque está começando a faltar comida em casa. Um senhor, trabalhador honesto, pai de família, perdeu a compostura hoje. O Saints ficou mal, e eu fiquei mal assim que ele me contou. Essas coisas me afetam mesmo, e eu imagino a dor desse pai não conseguindo criar a filha como ele gostaria. Mais uma pessoa tentando sobreviver.

E então eu penso no país. Pensamos em filhos, mas como? Pagamos impostos, todos direitinhos, e o que temos em retorno? Não temos segurança, saúde, educação, nada. Nada com o dinheiro que pagamos ao governo, e que deveria nos voltar de alguma forma, mas a realidade é que se você não dispor de recursos próprios, você mal consegue sobreviver – as escolas não ensinam, os hospitais não nos atendem e o medo é claro na nossa sociedade, onde agora devemos AGRADECER quando sofremos qualquer tipo de crime e não morremos.

O problema é que está cada dia mais difícil sobreviver.

Então enquanto a gente consegue ainda respirar um pouco mais, o jeito é correr atrás da saída. Porque ficar aqui no país não é mais uma possibilidade. Enquanto não tiver uma série de reformas – e isso inclui o pensamento das pessoas! -, não tem solução aqui. Não que odeie o país, não me entendam errado. Mas eu quero ter um filho, e que ele tenha um futuro, algo que não vai acontecer aqui tão cedo.

Alguém mais nessa situação? Ou eu sou louca em achar isso tudo sozinha?

Abraços

Motivos Para Ir Embora

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Esse feriado com certeza fez muita gente pensar. Inclusive a gente.

Temos visto pelos grupos de imigração até um certo desânimo pelos prazos e pelos processos burocráticos todos para os processos provincial e federal. Não podemos julgar ninguém, nós dois somos ansiosos por natureza, e ainda estamos na fase de preparação de envio do dossiê e já estamos com a ansiedade a mil.

Bom, aqui em casa dizemos que todos as insatisfações que nos fazem querer mudar de país vão para uma “pastinha”. Claro que a pastinha não existe fisicamente (precisaríamos de uma biblioteca!), mas sempre que vemos algo que nos indigna, dizemos “coloca na pastinha”, “guarda junto na pastinha”.

Alguns bons exemplos do que estão na nossa pastinha:

  • Trabalhamos 5 meses só para pagar impostos. (aqui);
  • Um ovo de Páscoa produzido no Brasil é vendido por menos da metade do preço no Japão. (aqui);
  • Estamos entre os 10 países com o maior número de adultos analfabetos, segundo a Unesco. (aqui);
  • A saúde pública é tão precária que mulheres grávidas tem seus filhos na porta de maternidades, e sem atendimento médico (aqui) ;
  • A Copa do Mundo, que deveria ser um legado, só trouxe prejuízos e desvios absurdos de dinheiro. Inclusive público (aqui);
  • A cada dia mais criminosos se mostram mais poderosos que a polícia, que diariamente é intimidada (aqui);
  • A indústria já considera o ano de 2014 perdido. E detalhe: ainda estamos em abril! (aqui);
  • Em 2014 já pagamos R$500 bilhões em impostos. (aqui) E qual retorno temos destes impostos?
  • A lista é gigante, e poderíamos ficar por horas aqui dizendo aqui tudo que acontece de errado neste país. E não é de hoje, há anos está assim, e piorando a cada dia que passa. É esse futuro que você quer?

    O processo tem demorado em média 3 anos. Mas você tem que se perguntar: três anos de angustias para uma vida inteira de tranqüilidade vale a pena? A resposta para essa pergunta está dentro de cada um. Cada caso é um caso, e cada história é uma história, e o que pode ser bom para a gente pode não ser para vocês.

    Não queremos desanimar vocês. Longe disso. Queremos que todos pensem em todos os lados antes de dar o primeiro passo rumo à essa decisão. O processo é longo? É. É angustiante? Com certeza. Vale a pena? Isso vai de cada um. Das pessoas que conheci que se jogaram nessa jornada, nenhuma sequer pensou em voltar para cá. Acho que isso quer dizer algo, né?

    Boa semana a todos 🙂