Post salvo em ‘Decisões’

Motivos Para Ir Embora

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Esse feriado com certeza fez muita gente pensar. Inclusive a gente.

Temos visto pelos grupos de imigração até um certo desânimo pelos prazos e pelos processos burocráticos todos para os processos provincial e federal. Não podemos julgar ninguém, nós dois somos ansiosos por natureza, e ainda estamos na fase de preparação de envio do dossiê e já estamos com a ansiedade a mil.

Bom, aqui em casa dizemos que todos as insatisfações que nos fazem querer mudar de país vão para uma “pastinha”. Claro que a pastinha não existe fisicamente (precisaríamos de uma biblioteca!), mas sempre que vemos algo que nos indigna, dizemos “coloca na pastinha”, “guarda junto na pastinha”.

Alguns bons exemplos do que estão na nossa pastinha:

  • Trabalhamos 5 meses só para pagar impostos. (aqui);
  • Um ovo de Páscoa produzido no Brasil é vendido por menos da metade do preço no Japão. (aqui);
  • Estamos entre os 10 países com o maior número de adultos analfabetos, segundo a Unesco. (aqui);
  • A saúde pública é tão precária que mulheres grávidas tem seus filhos na porta de maternidades, e sem atendimento médico (aqui) ;
  • A Copa do Mundo, que deveria ser um legado, só trouxe prejuízos e desvios absurdos de dinheiro. Inclusive público (aqui);
  • A cada dia mais criminosos se mostram mais poderosos que a polícia, que diariamente é intimidada (aqui);
  • A indústria já considera o ano de 2014 perdido. E detalhe: ainda estamos em abril! (aqui);
  • Em 2014 já pagamos R$500 bilhões em impostos. (aqui) E qual retorno temos destes impostos?
  • A lista é gigante, e poderíamos ficar por horas aqui dizendo aqui tudo que acontece de errado neste país. E não é de hoje, há anos está assim, e piorando a cada dia que passa. É esse futuro que você quer?

    O processo tem demorado em média 3 anos. Mas você tem que se perguntar: três anos de angustias para uma vida inteira de tranqüilidade vale a pena? A resposta para essa pergunta está dentro de cada um. Cada caso é um caso, e cada história é uma história, e o que pode ser bom para a gente pode não ser para vocês.

    Não queremos desanimar vocês. Longe disso. Queremos que todos pensem em todos os lados antes de dar o primeiro passo rumo à essa decisão. O processo é longo? É. É angustiante? Com certeza. Vale a pena? Isso vai de cada um. Das pessoas que conheci que se jogaram nessa jornada, nenhuma sequer pensou em voltar para cá. Acho que isso quer dizer algo, né?

    Boa semana a todos 🙂

    Por que o Quebec?

    A primeira coisa que se pode perguntar é: Por que o Quebec?

    Sejamos bem práticos: ninguém decide ir para uma província francófona no meio do frio canadense. Todo mundo sempre pensa nos EUA ou na Europa na hora de mudar de país. Aliás, nós sabemos muito pouco sobre o Canadá aqui no Brasil.

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    O Quebec apareceu como uma opção viável para quem deseja morar e trabalhar legalmente fora. Eu jamais iria largar uma vida aqui para ir ser ilegal em outro país, por mais compensações que pudesse vir a ter. Eu tenho direito à cidadania italiana, mas o processo é interminável no Brasil, e eu não tenho no momento tempo para ficar alguns meses na Itália. Como amei o Canadá, e ele é bem forte nas nossas áreas de trabalho, por que não?

    Eu conheci o processo em 2006, através do meu pai que tinha um colega de trabalho que estava deixando seu posto na empresa porque estava se mudando para o Canadá. Meu pai achou um ato corajoso, um cara mais velho, com filhos, largar uma vida estável no Rio de Janeiro, com um bom salário, para ir começar do zero em Vancouver. Hoje podemos ver quão certo ele estava.

    Fato é que comecei a ter contato com esse colega do meu pai, li o blog dele, trocamos alguns e-mails e eu me interessei. Só que naquela época o processo federal já tinha uma lista de restrições, então ele me falou do processo por Quebec. Coincidência ou não, eu já estava matriculada em um curso de francês.

    Bem, foram alguns anos de estudos, algumas (muitas!) palestras de imigração. Na época eu namorava, teve um término de namoro ai no meio, ai fui para Montreal e me apaixonei pela cidade. Voltei, preenchi toda a documentação necessária e depois acabei desistindo, por motivos pessoais. Mas a ideia nunca morreu.

    Sempre continuei praticando o francês (através de estudos ou de mídias escritas e faladas), ai comecei a namorar meu atual marido, nos casamos e agora estamos firmes na decisão de irmos. O que foi bem melhor, porque agora tenho maturidade para saber o que quero, e tenho mais pés no chão também 🙂

    O processo por Quebec hoje não é nem de perto o que era em 2008, onde em 11 meses você já tinha o visto. Ele se tornou mais rigoroso e criterioso, mas tudo tudo bem. Estamos nos preparando a cada dia, psicológica e financeiramente para nos mudar para um dos lugares que mais amei estar no mundo.

    Abraços,
    A Saints.

    Imagem: Educational Travel Adventures

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